
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne na tarde desta quinta-feira (19), em Nova Délhi, com o presidente da França, Emmanuel Macron. A bilateral ocorre em meio a tensões entre os dois governos sobre o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
O encontro acontece à margem da IA Impact Summit, cúpula internacional dedicada à governança da inteligência artificial, realizada na capital indiana.
Segundo a Embaixada da França no Brasil, os dois líderes devem retomar parcerias firmadas durante a visita de Macron ao Brasil, em março de 2024. Na ocasião, foram assinados 21 acordos em áreas como defesa, meio ambiente e cooperação jurídica.
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Os presidentes também acompanharam o lançamento do submarino Tonelero, em Itaguaí (RJ), dentro de um programa bilateral estimado em R$ 40 bilhões, iniciado em 2008. Além disso, foi firmado protocolo de investimentos de R$ 5,4 bilhões voltado à proteção da Amazônia.
A nova reunião foi acertada após telefonema recente entre os chefes de Estado. Desde então, equipes diplomáticas trabalhavam na definição do horário e do formato do encontro.
Impasse comercial: Mercosul-UE
A bilateral ocorre após declarações de Macron classificando o texto do acordo Mercosul-UE como “um mau negócio” e “desatualizado”. A posição contrasta com a defesa pública feita por Lula em favor do tratado.
Em janeiro, a França votou contra o acordo no Conselho Europeu. Apesar das críticas, Macron afirmou que o texto não teria impacto drástico, mas também não produziria o crescimento esperado por alguns setores.
Outros temas
Além do acordo comercial, os presidentes devem discutir governança global da inteligência artificial e cooperação em cadeias de minerais estratégicos.
A proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), de criação de um Conselho da Paz em Gaza também pode entrar na pauta. O tema foi mencionado no telefonema que antecedeu o encontro.
Brasil e França têm posições próximas em relação ao conflito. O governo brasileiro não formalizou resposta ao convite dos Estados Unidos e manifesta divergências quanto ao modelo apresentado por Washington. A França, por sua vez, também não endossou a proposta.