Maior cidade do mundo abriga 42 milhões, supera 23 países da UE e sofre com crise histórica


Rua totalmente alagada na maior cidade do mundo, com pessoas sendo resgatadas de barco durante enchenteA maior cidade do mundo cresceu sem infraestrutura necessária e de forma desordenadaFoto: AP/Reprodução/ND Mais

A vida de quase 42 milhões de pessoas se desenrola sob uma ameaça silenciosa, mas implacável. O solo de Jacarta está cedendo.

Relatórios recentes da ONU apontam que não é apenas a maior cidade do mundo em população, mas também uma das mais vulneráveis à crise climática, sofrendo com o fenômeno da subsidência.

Maior cidade do mundo enfrenta escassez de água

Para se ter uma ideia da magnitude, a população de Jacarta supera a soma total de habitantes da Holanda, Bélgica e Portugal. Esse gigantismo, porém, veio sem uma rede de água potável adequada e sem infraestrutura básica para aguentar tragédias.​

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Sem acesso a torneiras públicas, a parcela mais pobre da população recorre à extração desesperada de água de aquíferos subterrâneos. Essas escavações, a maioria das vezes feitas de forma errada, esvaziam os reservatórios que são base do subsolo, fazendo a terra literalmente “murchar” e a cidade afundar decímetros todos os anos.

A população sofre os reflexos do crescimento desordenado de JacartaFoto: AP/Reprodução/ND Mais

​O problema é um combo perigoso: enquanto o solo desce, o nível do mar sobe. No Norte de Jacarta, bairros inteiros já estão abaixo da linha do oceano, protegidos apenas por muros que sofrem com a pressão das marés e muitas vezes cedem.

A pressão urbana, somada ao peso colossal dos prédios e infraestrutura sobre sedimentos fracos, acelera o desastre.

A saída radical: uma nova capital

​As soluções tentadas pelas autoridades são tão grandes quanto o problema. Além do ‘muro marinho gigante’, um sistema de defesa costeira bilionário, o governo indonésio tomou uma decisão polêmica, que é construir uma nova capital do zero, chamada Nusantara, na ilha de Bornéu.

O peso da infraestrutura urbana ajuda a esmagar o solo sedimentar de JacartaFoto: AP/Reprodução/ND Mais

A ideia é redistribuir o peso administrativo e econômico, mas para os 42 milhões que permanecem na maior cidade do mundo, a luta diária contra as inundações e a falta de água continua sendo um teste de resiliência sem data para acabar.



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