o que diz a PM sobre abordagem a estudantes indígenas na UFSCPMSC diz que atacou estudantes indígenas por legítima defesa


Corporação afirma que uso de spray de pimenta seguiu protocolo após supostas agressões e que usou a “pirâmide de força” na abordagem

Policial militar de costas com carro da PM na frentePolícia Militar alega que estudantes agrediram agentes, que foram “obrigados a se defender” – Foto: PM/Divulgação/ND

A PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina) rebateu nesta sexta-feira (11) as acusações feitas por estudantes indígenas da UFSC de abordagem truculenta em ação no último sábado (5), no campus Trindade da universidade.

Segundo os estudantes, seis indígenas estavam conversando próximo ao prédio onde funciona o DCE (Diretório Central dos Estudantes), quando os agentes chegaram gritando e atirando no chão com bala de borracha, além de terem jogado spray de pimenta no grupo. À reportagem do ND Mais, a instituição alegrou legítima defesa.

PM diz que estudantes indígenas hostilizaram agentes

Por meio de nota, o 4º BPM (Batalhão de Polícia Militar) afirmou que, por volta das 6h de sábado, a corporação recebeu diversas ligações de moradores do entorno da UFSC relatando “grave perturbação do sossego” no interior da universidade.

Estudantes indígenas relatam medo e tensão após casos de agressão na universidade – Foto: Caetano Machado/Agecom/UFSC

A Polícia Militar afirma que, durante a abordagem, os policiais foram desacatados e hostilizados pelos estudantes indígenas, sendo necessário “adotar meios de uso diferenciado da força em legítima defesa”.

Segundo a PMSC, o uso de spray de pimenta seguiu o treinamento dos agentes. “Uma das fases da pirâmide da força é o uso de meios não letais para conter uma agressão. Como os agentes estavam sendo agredidos pelos abordados, foram obrigados a se defender com o espargidor”, diz a nota.

Sobre a alegação que eles estavam sem identificação durante a abordagem, a PMSC afirma que os policiais estavam fardados e equipados, pois atenderam a ocorrência via Copom (Centro de Operações Policiais Militares). “Não tem como receberem ocorrência sem estar de serviço. Provavelmente esse relato se refere ao uso do nome na farda”, explica a instituição.

A reportagem do ND Mais procurou representantes do grupo indígena para comentar as acusações, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

Relembre os ataques sofridos por estudantes indígenas na UFSC

onda de três ataques a estudantes indígenas no campus Trindade da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) ocorreu entre os dias 5 e 7 de julho. O primeiro foi na manhã de sábado (5), após abordagem de policiais militares. No episódio, seis indígenas sofreram agressões.

O segundo ataque foi na madrugada de domingo (6), por volta das 2h.  Três estudantes indígenas estavam confraternizando em frente ao alojamento onde residem, quando foram surpreendidos por um grupo de cerca de dez pessoas em patinetes elétricos.

Eles teriam insultado e arremessado pedras contra os indígenas. Gritos como “bando de índios”, “o lugar de vocês não é aqui” e “vagabundos” foram proferidos.

O terceiro aconteceu na segunda-feira (7), por volta das 20h. O mesmo grupo de patinete teria retornado ao alojamento com mais pessoas, promovendo novos ataques. Novamente os agressores gritavam “fora, índios” e “seus vagabundos”.



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