
Donald Trump iniciou uma das viagens mais desafiadoras de seu mandato com um objetivo ambicioso: selar um acordo com o presidente da China, Xi Jinping. O presidente dos Estados Unidos embarcou na noite de sexta-feira (25) rumo à Ásia, onde passará por Malásia, Japão e Coreia do Sul em uma agenda voltada a comércio, política internacional e disputas estratégicas.
A viagem, que deve durar cinco dias, é a mais longa de Trump ao exterior desde que ele reassumiu a Casa Branca em janeiro. Segundo assessores ouvidos pela Reuters, o republicano busca acumular resultados rápidos em frentes como comércio e cessar-fogo antes de enfrentar o desafio central: um encontro “cara a cara” com Xi, previsto para a próxima quinta-feira (30), na Coreia do Sul. As informações são da Reuters.
Trump tenta mostrar que ainda tem fôlego diplomático em meio à escalada de tarifas entre Washington e Pequim e à pressão por avanços em outras crises — entre elas, o conflito em Gaza e a guerra na Ucrânia. A Casa Branca trabalha para preservar o frágil cessar-fogo negociado no Oriente Médio, enquanto tenta administrar divergências com os chineses.
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Conversas difíceis, avanços limitados
De acordo com fontes próximas às conversas, a expectativa é modesta. Nenhum dos lados acredita que o encontro restaurará os termos comerciais anteriores ao início do governo Trump. A ideia é buscar um acordo provisório que envolva pequenos gestos: alívio parcial em tarifas, compromissos de compra de soja e aviões da Boeing pela China, ou um relaxamento no controle sobre minerais e ímãs de terras raras — insumos vitais para a indústria americana.
Também há especulações de que os Estados Unidos possam permitir o envio de mais chips de ponta para o mercado chinês, em troca de concessões pontuais de Pequim. Ainda assim, as chances de o diálogo terminar sem resultados concretos continuam altas.
Embora Trump tenha dito que o encontro com Xi será “bastante longo” e servirá para “resolver muitas dúvidas e ativos conjuntos”, o governo chinês ainda não confirmou oficialmente a reunião. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, chegou a afirmar que seria apenas “uma conversa de canto”, o que indicaria um contato mais informal.
Paradas e alianças estratégicas
Antes da reunião com Xi, Trump fará uma parada no Catar para conversar com o emir e o primeiro-ministro, reforçando o papel do país como mediador no conflito de Gaza. Na Malásia, o presidente americano participará da cúpula da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático) e poderá acompanhar a assinatura de um acordo de paz entre Tailândia e Camboja.
Depois, segue ao Japão, onde encontrará a nova primeira-ministra Sanae Takaichi, disposta a confirmar os investimentos de US$ 550 bilhões prometidos por Tóquio nos Estados Unidos. A última etapa será em Busan, na Coreia do Sul, antes de Trump retornar a Washington.
Trump já deixou claro que, sem acordo com a China, pretende aumentar as tarifas sobre importações chinesas para 155% a partir de 1º de novembro. A ameaça deve reacender o conflito comercial e encerrar a trégua que vinha sendo mantida desde o início do ano.
*Com informações de Reuters.