Fabrício, goleiro do Figueirense, reclamando da desatenção da zaga do Figueirense no gol do CRB que eliminou o Alvinegro na Copa do BrasilFoto: CRB/NDA derrota do Figueirense por 1 a 0 para o CRB, que culminou na eliminação na quarta fase da Copa do Brasil, precisa ser analisada dentro de um contexto mais amplo. A estratégia do técnico Márcio Zanardi foi clara: um sistema com três zagueiros que, sem a bola, virava um 5-3-2 bem compacto, fechando lados e tirando a amplitude do adversário.
Com a posse, a equipe se transformava em um 3-5-2, com alas como Victor Ricardo e Arthur Henrique, se juntando aos jogadores de meio Jean Mangabeira, Renan Areis e Choco. E na frente Arthur Martins e Zé Carlos..
Diante de um CRB mais estruturado, com base mantida desde o ano passado, com mesmo treinador, e jogadores ofensivos como Dadá Belmonte, Douglas Baggio e Mikael, o jogo foi de ataque contra defesa, sobretudo no primeiro tempo.
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Logo no início, com menos de um minuto o goleiro Alvinegro Fabrício já salvou uma chance clara de gol, cara a cara com Mikael. Mesmo pressionado, o Figueirense conseguiu sustentar bem a pressão, e foi organizado e competitivo, apesar de fato não ter levado perigo ao gol do CRB.
Na segunda etapa, com mudanças como Lucas Alves, Igor Bolt, Maílson, Léo Maia e Dudu, o time teve mais a posse de bola, coisa que não teve no primeiro tempo e conseguiu avançar um pouco mais, principalmente pelo lado esquerdo com Maílson, muito embora tenha produzido pouco ofensivamente.
No total foram apenas seis finalizações do Figueira, contra 28 do CRB, sendo uma a gol e o time Alagoano foram sete no alvo. O gol da classificação do time regatiano saiu em um detalhe: jogada ensaiada e falha de atenção da zaga Alvinegra, aproveitada por Douglas Baggio.
Lucas Dias do Figueirense na disputa com atacante Douglas Baggio do CRBFoto: CRB/NDO trio de zagueiros foi bem, com Felipe Santiago pela direita, Lucas Dias centralizado e Jhonnathan pela esquerda. Lucas Dias teve muito boa atuação, com três recuperações de bola, três chutes bloqueados, venceu metade das disputas no duelo aéreo, como também nos duelos individuais no chão e ainda arriscou lá na frente com duas finalizações.
Os atacantes Arthur Martins e Zé Carlos, pelo desgaste que contribuiu, mas produziram muito pouco e praticamente só cumpriram funções táticas de organização defensiva a partir da pressão na saída de bola do CRB e nada mais.
Dentro de um cenário de reformulação total, com dez contratações, pouco tempo de treino e uma sequência desgastante de jogos e viagens, o Figueirense entregou competitividade. Não foi efetivo e nem criou tantas chances claras de gol, mas deixou uma impressão de superação diante de um adversário superior, mais descansado e mais preparado.
Em um outro contexto, se o Furacão tivesse um time já construído desde o início da temporada, com mesmo treinador, sem esse desgaste por essa maratona, pela estratégia feita, poderíamos repetir o que Zanardi, em 2023 no São Bernardo, falou para o Figueirense de Roberto Fonseca na época, “O Figueirense foi um time covarde”.
O contexto dessa maratona do Figueirense, explica a estratégia e a pouca força ofensiva na eliminação Alvinegra para o CRB
Zagueiro Jhonnathan do Figueirense, na disputa da jogada contra o autor do gol do CRB, o atacante Douglas BaggioFoto: CRB/NDO Furacão teve em menos de sete dias: três jogos (Amazonas, Avaí e CRB), uma logística de viagens que começou antes do jogo contra o Amazonas, de ônibus de Florianópolis a Curitiba, depois trajeto de avião para Manaus. Saiu de Manaus na sexta (13), e chegou em Florianópolis na véspera do clássico, na madrugada de sábado (14). Após o clássico, o time Alvinegro viajou na segunda, parte da delegação para o Rio de Janeiro, outra parte para Campinas, no que a delegação se encontrou na terça (17) em Recife e teve quatro horas de ônibus até Maceió.
É humanamente impossível, exigir força física para um time de futebol, que reformulou geral seu time para esses últimos jogos e não treinou. E ainda enfrentou um natural calor em Manaus, Florianópolis e Maceió.
Então só por esse contexto, a atenuante é clara para a boa estratégia do Zanardi, que em um cochilo de uma jogada ensaiada levou a eliminação na Copa do Brasil. Agora o treinador do Furacão terá duas semanas para finalmente treinar esse novo grupo de jogadores para a estreia contra o Ypiranga em Erechim-RS pela série C do Campeonato Brasileiro. E aí não terá mais essa questão do desgaste e falta de treinos na bagagem.


