Demolição da antiga ponte da Lagoa da Conceição começa nesta segunda-feira (20)Foto: Leo Munhoz/NDA antiga ponte da Lagoa da Conceição, construída na década de 1950, deixou de ter utilidade e vai abaixo a partir desta segunda-feira (20). A demolição ocorre após mais de dois anos de obras e sucessivas paralisações no judiciário, até que a nova passagem se tornasse realidade.
A navegação no canal entre a Lagoa de Baixo e a Lagoa do Meio será interrompida por até 10 dias, para todas as embarcações. A derrubada da estrutura levar cerca de 20 dias e integra a programação das obras de revitalização do entorno da nova travessia.
Após o período de interdição total do canal de navegação, a prefeitura não descarta novas interrupções pontuais até concluir a demolição da antiga ponte. Depois da revitalização do entorno da nova ponte a prefeitura começa a implantação de mais duas áreas públicas de convivência social e contemplação das belezas naturais da região.
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Será criado um boulevard, do lado do Centrinho, um deque de madeira com guarda-corpo metálico, devido à altura com relação às águas da lagoa, e uma praça, próximo da avenida das Rendeiras. O município também vai finalizar as obras da praça ao lado do restaurante Oliveira e o deque contemplativo perto do primeiro boulevard, além de revitalizar os passeios ao longo da rua Henrique Veras do Nascimento (SC-404).
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Vegetação nativa estava praticamente intocada no bairro – Divulgação/Waldemar Anacleto/Repositório UFSCFoto 1 de 13
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Paisagem natural foi modificada pela intervenção urbana – lagoa da conceição (7)Foto 2 de 13
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Registros históricos estão presentes no acervo da UFSC – Divulgação/Waldemar Anacleto/Repositório UFSCFoto 3 de 13
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Lagoa da Conceição, em Florianópolis, teve a paisagem modificada ao longo das décadas – Divulgação/Waldemar Anacleto/Repositório UFSCFoto 4 de 13
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Bairro, que já foi localidade rural, passou por mudanças e se tornou grande centro urbano – Divulgação/Waldemar Anacleto/Repositório UFSCFoto 5 de 13
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Foto antiga mostra paisagem da lagoa em 1968 – Memórias Floripa/FacebookFoto 6 de 13
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Registro do bairro em 1970 – Memórias Floripa/FacebookFoto 7 de 13
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Mirante da Lagoa da Conceição – Memórias Floripa/FacebookFoto 8 de 13
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Paisagem da lagoa em 1940 – Memórias Floripa/FacebookFoto 9 de 13
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Registro da ponte do bairro na década de 80 – Memórias Floripa/FacebookFoto 10 de 13
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Bairro passou por alterações devido à intervenção humana – Memórias Floripa/FacebookFoto 11 de 13
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Vista aérea do bairro atualmente – PMF/DivulgaçãoFoto 12 de 13
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Desenvolvimento urbano modificou a Lagoa da Conceição – Divulgação/PMFFoto 13 de 13
Prefeito de Florianópolis, Topázio Neto disse ao jornal ND que a antiga ponte da Lagoa da Conceição serviu à comunidade durante quase 70 anos, mas precisava ser renovada. “O fluxo de carros hoje não é mais o mesmo. A estrutura não tinha acessibilidade, ciclovia e as calçadas eram pequenas”.
Topázio lembrou, ainda que a estrutura anterior era muito baixa, o que dificultava a navegação entre as duas lagoas. “Com a retirada da ponte antiga, ganhamos mobilidade na região, porque barcos maiores vão poder passar. Vai ter mais troca entre as duas lagoas e vai ficar melhor.”
Nova travessia terá iluminação cênica
A nova ponte foi totalmente liberada ao trânsito de veículos nos dois sentidos em 22 de agosto e está em pleno funcionamento desde 26 de setembro, quando ocorreu a liberação da passagem pela ciclovia e pelos dois passeios. Futuramente, vai receber iluminação cênica, podendo mudar de cor, assim como a ponte Hercílio Luz. Essa estrutura ficará pronta até a entrega total da revitalização do entorno da nova ponte, prevista para dezembro.
A nova travessia fica à direita (sentido avenida das Rendeiras) da antiga ponte da Lagoa da Conceição. De formato curvo, tem estrutura de concreto armado nos nove pilares, nas duas faixas de rolamento, nos dois passeios, na ciclovia e nas barreiras entre a pista e o passeio, e entre a pista e a ciclovia.
Lagoa da Conceição e seu novo cenárioFoto: Allan Carvalho/PMF/Divulgação/NDAlém disso, recebeu guarda-corpo metálico. São 214 metros de extensão e 17 metros de largura, sendo que as faixas de rolamento têm 3,5 metros de largura cada. O investimento, em parceria com o governo do Estado de Santa Catarina, é da ordem de R$ 53 milhões.
Benefícios ambientais superiores aos da antiga ponte da Lagoa da Conceição
A construção da maior travessia do interior da Ilha teve o objetivo ambiental de melhorar a oxigenação entre a Lagoa da Conceição e a Lagoa Pequena, no Campeche. A prefeitura aponta que os benefícios decorrem do fato de que a distância entre a lâmina d’água e a nova travessia é três vezes maior se comparado à antiga ponte da lagoa da Conceição.
Na máxima maré, por exemplo, a altura era de 1,80 metros, e agora passou a ser de 6 metros. A mesma proporção vale para o vão livre, ou seja, o espaço para a passagem de embarcações sob a ponte, que era de apenas nove metros e, agora, é de 30 metros.
Conforme o biólogo Emerilson Emerin, essas alterações podem contribuir para a saúde da lagoa. “Temos uma lagoa que, ao longo do tempo, foi cercada pelo ambiente urbano e hoje existe uma deposição grande de matéria orgânica, que acaba conferindo à lagoa uma carga elevada dessa matéria”, disse Emerin.
Na visão dele, uma melhor circulação de água, originada pela abertura do vão da ponte, faz com que essas trocas, a exemplo do oxigênio dissolvido na água, se tornem mais abundantes, porque haverá mais renovação.
Nova ponte Lagoa da Conceição tem fluxo liberado nos dois sentidosFoto: Divulgação/Prefeitura de Florianópolis/ND“É renovação de água mesmo, uma troca que acontece dentro da dinâmica da própria lagoa. Essa troca torna os nutrientes, que às vezes estão concentrados num lado da lagoa, mais dispersos. Com mais oxigênio disponível, ocorre uma degradação melhor desses nutrientes.”
O biólogo frisa que o fenômeno recente de proliferação de algas também tende a diminuir, em comparação com o que ocorria na antiga ponte da Lagoa da Conceição. “Essa proliferação de algas tem vários fatores: o período de muita chuva, que carrega nutrientes e matéria orgânica para a lagoa.
Também pela maré muito alta, o que altera o balanço químico da água e aumenta a salinidade. E, por último, o fator humano. A lagoa ainda tem uma grande quantidade de ligações clandestinas”. Conforme Emerin, as ligações clandestinas ocasionam a proliferação excessiva de algas.
Otimista, ele acredita num futuro melhor para a lagoa e que isso poderá ser percebido logo no primeiro ano, com uma melhoria gradativa, desde que associada a outras práticas e iniciativas. “É importante manter, por exemplo, programas como o Trato pela Lagoa e o Se Liga na Rede, que fazem a inspeção constante das ligações clandestinas. Ou seja, é uma junção de fatores”, destacou.


