Equipe da Embrapa Florestas se mobilizou para coleta de material genético e tentativa de clonagem da araucária gigante.Foto: Katia Pichelli/Embrapa Florestas/ND MaisSerá possível recriar uma árvore centenária? Essa é a pergunta que mobiliza pesquisadores da Embrapa Florestas após a queda da araucária gigante conhecida como “Pinheirão”, em Caçador, no Meio-Oeste catarinense.
O DNA da quarta maior araucária do Brasil já está em laboratório e pode dar origem a novas mudas geneticamente idênticas à árvore original. Os pesquisadores iniciaram cerca de 20 enxertos com brotações retiradas da copa e aguardam os próximos 100 dias para descobrir se o material genético ainda está vivo.
Como funciona a clonagem da araucária gigante
As brotações coletadas foram preparadas e enxertadas em mudas já existentes de araucária.
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Segundo a Embrapa Florestas, se o procedimento tiver sucesso, essas brotações vão “dominar” a muda utilizada no enxerto e dar origem a uma nova planta clonada a partir da árvore centenária.
Últimas imagens da araucária gigante foram registrada no fim de 2025.Vídeo: Epagri/ND Mais
A expectativa é que os primeiros resultados sejam conhecidos em cerca de 100 dias — prazo considerado padrão em casos de clonagem de araucárias adultas por enxertia.
Cientistas ainda não sabem se o DNA sobreviveu
Os pesquisadores afirmam que ainda não é possível prever um percentual de sucesso da clonagem porque não se sabe exatamente quando o Pinheirão caiu.
Normalmente, o ideal é que o material seja coletado entre cinco e dez dias após o tombamento da árvore.
A idade exata da araucária gigante nunca foi determinada com precisão, pois seu tronco oco impedia a aplicação do método mais preciso. Foto: Katia Pichelli/Embrapa Florestas/ND Mais“Em Caçador, a equipe identificou brotações aparentemente com vigor suficiente para o enxerto, porém só saberemos o resultado daqui a cerca de 100 dias”, informou a Embrapa Florestas.
Quantas novas árvores podem nascer?
Até agora, os pesquisadores realizaram aproximadamente 20 enxertos, mas ainda é cedo para estimar quantas mudas poderão surgir a partir do DNA centenário.
Segundo a Embrapa Florestas, a prioridade é plantar as mudas viáveis no mesmo local — ou próximo — de onde estava a árvore original.
Caso existam mais mudas compatíveis, elas também devem integrar a coleção genética usada em estudos científicos.
Trabalho coordenado pela UFSC mapeia e estuda exemplares raros, como araucárias e imbuias de grande porte.Foto: Katia Pichelli/Embrapa Florestas/ND MaisClones podem produzir pinhão mais cedo
A araucária é considerada adulta entre 10 e 12 anos de idade. Mesmo nos casos de clonagem, as novas árvores devem levar esse mesmo período para atingir a fase adulta.
No entanto, segundo os pesquisadores, existe a possibilidade de antecipação da produção de pinhão, já que geneticamente a nova planta “entende” que é mais velha.
Últimos registros oficiais do Pinheirão quando ele ainda estava em pé foram feitos em novembro de 2025. Foto: Zé Paiva/Vista Imagens/ND MaisRelembre o caso do Pinheirão
A araucária conhecida como “Pinheirão” era considerada a quarta maior do Brasil, com 44 metros de altura — equivalente a um prédio de 14 andares.
A árvore histórica caiu em Caçador e mobilizou pesquisadores em uma corrida contra o tempo para preservar o DNA centenário da espécie.


